quinta-feira, 13 de julho de 2017

eu preciso é gritar

eu invento encantos fugindo da lucidez que me ataca de vez em vez, essa dor latente que as vezes não é possível evitar, minha vó diz palavras inaudíveis, é o que entendo desse mundo que criei, dói.

a utopia no presente

esta é a hora
a hora de mudar
está mais do que na hora
de naquele oceano pular
e ouvir zunidos ao fundo
de grandes peixes a navegar
e encontrá-los
como se fosses tesouro raro
olha pra ti menina
olha em tudo que isso se transformou
neste ruído incessante
de corpos errantes a te esbarrar
olhas tu mulher
que cresce pêlos onde tu te escondes
olhas tu mulher
que cresceu no corpo e nas ideias
estagnou
mudas tu mulher
mudas o gesto
o olhar e o afeto
pois não te podes carregar
este fardo que não cabe mais
nem na mente nem no coração nem no mundo.

quarta-feira, 13 de abril de 2016

sinais ou sintomas
diferentes na essência
na superfície são iguais

sintomas ou sinais
posso senti-los no mundo
no corpo
e no apelo de tantos ais.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

o universo em desencanto

tenho que ser alguém
alguém dentro de mim
que caiba dentro do meu corpo,
mas queira explodir em mil pedaços
expansiva e loucamente dominar espaços
onde jamais estive

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

quero espaço, quero meus gestos, quero meu pé na terra fincar
sim, raízes bem firmes
não, não quero seu ar a me sufocar
essas pílulas descem atravancando minha garganta
por mais que tente, não consigo entendê-las
essa onda que me levou do céu a terra em segundos várias vezes
qual é o seu problema?
qual é o meu problema?
porque nunca ultrapassei meus limites? estes limites são reais?
disseram-me pra esquecer o que é real ou não
mas como, se estas memórias são tão vivas em mim?

domingo, 15 de dezembro de 2013

quero estar com vocês
cigarro noite som
quero compilar em um mês
cigarra verde tom
quem explica isso não sou eu
é sonho verso então
o que imita a vida não funciona
quero braço peito mão

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

se não fizer nada você pode se arrepender. é um fogo interno que inquieta o corpo, a alma. a falta de distribuição igualitária, incomodo diário do olhar urbano, do olhar interior. quando busca a iluminação não esquece da fome. quando busca na fome o prazer, se esquece do "não". fome de nada ou fome de tudo? que pergunta é essa? é preciso vomitar inquietação: quando me solto no sono ela não me deixa dormir. escrever não basta.