quarta-feira, 17 de novembro de 2010

umaidéiasobrenãosaber.

conhecer é voltar todos os dias pelos caminhos das memórias. é entender o que te fez tomar decisões e o porquê de fazê-las agora.
que andar é reconhecer. reentender a culpa, reencontrar o peso. é sentí-lo inteiro- o bloco da consciência- e saber esculpi-lo.
é não ter medo dos medos dos medos dos medos antigos. é rir deles. é uma ponte entre o capricórnio e o futuro leão ascendente. são os neurônios se encaixando. são os meios de compreender o mundo.
identificar-se. nos outros, nos fins, nos meios, mas principalmente na explicação de todos eles. na auto-explicação mora muita da culpa, não canso dela. canso e não descanso. não há descanso pro amontoado de eus que encontro a cada fenestra da roda














(viva).

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

as vozes não cansam.
as vozes não entendem o que deveras sentem.
mas estas fazem sentir.
e deve-se impedi-las antes que sintam por ti.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Há um espaço gigante dentro do meu corpo, que se mexe e me agita o tempo todo. Esse vazio é amor.

Esse amor-vazio, ou esse vazio-amor, só é preenchido com palavras, mesmo que vazias, mas vindas do interior de um outro corpo. Ou também por música: algum som que saia dessa bolsa de ar-amor que me preenche as entranhas, ou também algum outro que me entre pelos ouvidos, dê algumas voltas, mas que vá para o mesmo fatal destino.

Não sei especificar o gênero desse amor, nem quantificar em volume, de fato não sei nem preenchê-lo corretamente. Só sei que tenho que alimentá-lo com coisas abstratas, sem matéria, vagas como nós.

É grande e não é secreto, por mais que pareça. Secreto mesmo só pra mim, que ainda não o desvendei. O vazio se remexe em meus órgãos, sobe para os olhos em forma de água, sai pelas mãos em forma de abraço, ele está aqui, e é matéria. Contradição irônica dos seres. Totalmente previsível e, ao mesmo tempo, eternamente inexplicável.

sem nome

não sabe onde está. em que quadro da vida se posiciona. se é que existe quadro.

não se encaixe, não se enquadre. tente, pelo menos.

sua dor não é palpável, é só falta de caminho pra seguir.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

me diz como não consegue amar este ser, ter dó de seu cansaço, sentir pena da sua falta de força pra falar, um pouco de compaixão.
não entendo também como não vê seu estado deplorável de gostos e futilidades. me diz se não tem vontade de adotar um aluno, alguém que descobre a cada dia que sabe menos sobre o mundo. vê se põe algo nesta mente. algo que fique fixo e estável. algo encantado como você.
vê se põe um pouco de sentimento nesse olhar, uma pitada de pimenta nessa insossa massa, que diariamente se vê sem saída.
talvez você possa achar nesse conjunto de desencontros algo que preencha seu dia: bem pouco, desapercebido...
ainda não entendo como pode não amá-lo.

domingo, 8 de agosto de 2010

[que, pelo menos agora, alguém possa falar por mim]

"Tenho apenas duas mãos e o sentimento do mundo, mas estou cheio de escravos, minhas lembranças escorrem e o corpo transige na confluência do amor"
C. Drummond

quinta-feira, 29 de julho de 2010

[barata ribeiro com república do peru]


essa consciência que abruptamente me assalta quando eu menos quero encontrá-la. a chatice dos humanos que me ataca, me atinge os nervos. me acorda nessa madrugada enquanto outros sonham e roncam na sua conformada alegria de dormir, e de viver.
não durmo.
aliás, é difícil me sentir adormecida. essa consciência está em mim me alertando do que eu quero ou não entender.
não quero ouvir.
quero vinte doses, por favor. quero algo que apague minha memória, minha lógica, minha porra de consciência. ela que não me deixa ver menos e rir mais de tudo isso. de tudo isso que vejo e detesto. essas tantas e tantas certezas que me entram nos neurônios sem que eu permita. me deixem em paz.