quinta-feira, 19 de abril de 2018

Eu quero e tenho medo de te encontrar nas ruas.
Tenho medo de te ver com uma pessoa qualquer, rindo enquanto minha dor é forte e calada. Enquanto esse vazio paralisante me consome.
Minha fome virou enjôo.
Mas ao mesmo tempo te procuro nos automóveis como se voce fosse me buscar pra ir pra qualquer lugar com você. Ou como se só estivesse ali, presente, inteira, como alguém que eu quero tanto que esteja presente, como se a sua presença preenchesse esse frio, me acalentasse nesta frequencia serena demais pra mim. Nessa tranquilidade dolorida. Nesta rotina sem você.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

eu preciso é gritar

eu invento encantos fugindo da lucidez que me ataca de vez em vez, essa dor latente que as vezes não é possível evitar, minha vó diz palavras inaudíveis, é o que entendo desse mundo que criei, dói.

a utopia no presente

esta é a hora
a hora de mudar
está mais do que na hora
de naquele oceano pular
e ouvir zunidos ao fundo
de grandes peixes a navegar
e encontrá-los
como se fosses tesouro raro
olha pra ti menina
olha em tudo que isso se transformou
neste ruído incessante
de corpos errantes a te esbarrar
olhas tu mulher
que cresce pêlos onde tu te escondes
olhas tu mulher
que cresceu no corpo e nas ideias
estagnou
mudas tu mulher
mudas o gesto
o olhar e o afeto
pois não te podes carregar
este fardo que não cabe mais
nem na mente nem no coração nem no mundo.

quarta-feira, 13 de abril de 2016

sinais ou sintomas
diferentes na essência
na superfície são iguais

sintomas ou sinais
posso senti-los no mundo
no corpo
e no apelo de tantos ais.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

o universo em desencanto

tenho que ser alguém
alguém dentro de mim
que caiba dentro do meu corpo,
mas queira explodir em mil pedaços
expansiva e loucamente dominar espaços
onde jamais estive

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

quero espaço, quero meus gestos, quero meu pé na terra fincar
sim, raízes bem firmes
não, não quero seu ar a me sufocar
essas pílulas descem atravancando minha garganta
por mais que tente, não consigo entendê-las
essa onda que me levou do céu a terra em segundos várias vezes
qual é o seu problema?
qual é o meu problema?
porque nunca ultrapassei meus limites? estes limites são reais?
disseram-me pra esquecer o que é real ou não
mas como, se estas memórias são tão vivas em mim?

domingo, 15 de dezembro de 2013

quero estar com vocês
cigarro noite som
quero compilar em um mês
cigarra verde tom
quem explica isso não sou eu
é sonho verso então
o que imita a vida não funciona
quero braço peito mão

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

se não fizer nada você pode se arrepender. é um fogo interno que inquieta o corpo, a alma. a falta de distribuição igualitária, incomodo diário do olhar urbano, do olhar interior. quando busca a iluminação não esquece da fome. quando busca na fome o prazer, se esquece do "não". fome de nada ou fome de tudo? que pergunta é essa? é preciso vomitar inquietação: quando me solto no sono ela não me deixa dormir. escrever não basta.

sábado, 9 de novembro de 2013

uma ânsia essa vida
o que fazer com isso tudo que está preso em mim e me entra pelo estômago, e quer sair em forma de fumaça, com essas lembranças indesejadas porém cheias de desejo, esse gosto de fel na boca, esse tempo cruel que passa, esse tempo eterno que insiste em ficar.

domingo, 29 de setembro de 2013

sou como um gato solitário na noite
procuro luzes que acendam meus olhos
procuro algo que não sei bem o que é
procuro algo externo que me preencha
sabendo que é dentro que está
teimo nessa busca incessante
queimo por dentro
queimo cinzas internas
queimo meu nome minha sina
onde está minha sina
quem é aquela menina
que ria pra mim e de mim

terça-feira, 24 de setembro de 2013

quero novo movimento
quero fluxo contínuo
querer é tão futil
porque o desejo nada mais é que uma mentira
uma peça pregada no ser
o desejo não se concretiza
o desejo impulsiona
mas não se realiza
somos resultados de situações sim
e não quer dizer que ele não se apresentará no caminho, o fruto do desejo
mas jamais será ele, jamais o reconhecerá em seu trajeto

nunca diga nunca.

mesmo assim continuo desejando fluxo em mim e nos fragmentos de vida, e nela em sua totalidade.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

a ânsia o ventre o vazio

silêncio. é o que existe no centro da casa
vácuo que impulsiona a vida
é um desejo, a criação
sonho corpóreo do amor.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

esconde, esconde

é quando essa verdade vem
nada tem que a segure.

verdade...

verdade é um olho que se olha e se entende!

é rasgo de gente
é fogo o nó que qué dá!
mas nada como futuro, esse agora.
hora vem passo de cada vez.
nem sei se existe erro, nem sei se existiu.
existe é momento.
momento, palavra cheia
momento é também movimento.
sai ...
sai ...
sai o que não pode mais no lombo
o vento leva todo o resto.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

rodamoinho de vida

o desafio do desapego impulsiona
excitante é olhar pra si e querer rasgar os rascunhos
rascunhos rotos
rostos queimados
lavar essa fuligem de pó estagnante
o pó impregna
aliena e paralisa
o pó do passado que retorna, passado ventos de mofo, ventos que não mais voltarão
impedir que eles se estagnem

é fazer rodamoinho de vida.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

sobre viver a eternidade. sobreviver na eternidade? seria uma forma de completar-se? de se sentir inteiro? as resoluções vem cada vez mais rápidas. a compreensão, instantânea. os nós vem, os vejo também. fácil olhar pra eles. distingui-los. observar qual é sua parte de nó. deglutí-lo. que mão utilizo para puxar a minha parte da corda? é simples fazê-lo depois que se sabe.
olho o espaço amplo e passível de preenchimento que se forma quando se desfaz o nó. é braço aberto, é vazio sem dor, vazio porque é cheio de possibilidades. a certeza só mostra o concreto das fibras da corda. a certeza mostra o nó. a dúvida e o mistério do vazio permite a visão das estradas.


domingo, 24 de junho de 2012

centro

queria escrever tudo pra fora, mas o que está dentro só me faz ficar aqui, confortável. estou revendo o ser e o estar, revendo corpo, forma, tato, revendo o respirar. impossível gritar agora. agora tudo é silêncio grande. não quero engolir informações, quero terminar a digestão. elas estão no intestino. estão descendo. o mundo me apressa lá fora, ou será um eco enorme do que está aqui dentro. quem apressa? quem acelera meus batimentos além de mim mesmo. o cérebro respira e grita ao mesmo tempo.
olhar tudo tão calmo, olhar a paz que vem assentando nos seres e nos estares, nas salas de estar, nas mãos estendidas. no som da rua. no som, os sons. toda essa calma me fez parar, aquietou as falas, os tambores que agitam com o vento. os tambores cessaram, os agudos ruins. quero embalo da batida, quero fluxo.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

flor do asfalto

o medo bloqueava. o medo não existe mais. o meu deu lugar a um espaço vazio, pronto para ser preenchido pelo todo. e o todo vem, vem pulsante, vem arrebatando meu peito, o nosso peito, a nossa mão dada, o todo envolve nosso ser, o todo é parte de tudo, o todo está em mim, está em você.
o medo deu lugar ao todo. o medo foi importante sim. o medo fez crescer, fez sentir um todo mais consciente. mas o medo não deve ficar. a destruição vem para tudo renascer. o não vem para o sim. o caos, o vazio antigo, a morte, a morte. morte do velho, nasço o novo em mim. nasça, floresça nisso tudo aqui em volta do meu ser, cresça ramos floridos entre meus dedos dos pés. os ramos me envolvem, sinto afago da terra.
antes o que era terra morta, terra morta foi adubo da flor que nasce.
não tem nada que segure a flor no asfalto, ela rompe como disse carlos, ela rompe a pedra dura do ódio e do pesado passado, a flor rompe, dilacera a mágoa em pedaços ínfimos de nada, o nada se torna vento, voa.
flor de chão, amarre-se aos meus pés, envolva-os. quero levá-la comigo e além.

sábado, 26 de maio de 2012

Santa Cruz


nada se compara. nada se compara a ir para casa. e a casa é onde meus hábitos tem habitat. nada se compara a corações que se afagam. na-da.
nada preenche mais que o calor de um coração no outro. vem do estômago e sai pelo centro do peito esse aperto que não dói. aperto de amor.
é um foco de luz que irradia, o aperto é a sua força de sair. se espremer entre as costelas, um pouco dividido pelo esterno.
sai aos trancos, o amor.
sai por dentro, o amor.
sai pelas narinas, por entre os dedos, escapa, se esvai, se perde, se ganha tanto, tenta em vão se prender no centro da mão, só pelo fato de sentí-lo mais um pouco em seu corpo.
não fica. o amor sai como o ar já gasto precisa sair de mim e tomar conta do ambiente, voar, volar, volar.
e tocar, leve, nas superfícies ao redor. repousar.

domingo, 20 de maio de 2012

como jogar uma taça delicada no chão

o som é doloroso.
o vidro encosta no chão, o atrito, o contato, a força do vidro no chão, a força do chão no vidro. é terrível! quebra os ossos. dói na espinha vê-lo assim, no chão. esse vidro tão resguardado no armário, na vitrine da sala. esse vidro que segurava com panos, com luvas de algodão pra que não, não se despedaçasse, nem fosse riscado. o pano no vidro, o pano era grosso, não via, mas ele estava sendo riscado. dói o atrito do pano na superfície lisa. não era tão lisa mais, segurá-lo tantas vezes o fez menos delicado.
um dia olhei essa taça mais uma vez, rotina limpá-la, lustrá-la com aquele tal pano.
o atrito tinha feito tantos vincos já naquela superfície. o cuidado já magoava. a proteção estilhaça meu peito. a proteção aperta meu coração. meu órgão já não consegue bater de se ver preso por estas mãos. apertado por estes dedos cobertos de pano.
depois dessa dor, jogo. solto no ar um copo de anos. um corpo de anos. solto no ar, ele paira anos em minha mente. de fato, foram segundos. abro as palpebras já não é o mesmo.
partículas por todos os lados, pedaços deste objeto no chão. não vejo mais o que ele era. agora são cacos. tento calcular, tento reformular na minha mente o que eram esses corpos, pequenos corpos. impossível ver. IMPOSSÍVEL. como uma venda no meu olhar, o chão quebrou aquilo e já não me lembrei o que era que estava na minha mão, que mão? o que era aquilo?
vazio no peito,
tento reler para relembrar. quase impossível saber o que era.
só sei dizer até aí. o copo se quebrou, os cacos no chão.
não, acho que lembro o que fiz depois. na verdade estou aqui, juntando-os. tinha me esquecido. lapsos mentais.
me esqueço de novo e de novo, como começar a explicar o que fiz quando comecei a juntar estes corpos que estavam espalhados? 
é preciso muita força para lembrar, mas foi assim:
peguei um por um estes cacos. é, são cacos. não são corpos. agora os considero assim. olhei um por um: são grossos. têm uma largura. pareciam tão finos quando era uma taça. taça fina. agora olho-os de verdade. parece que vejo os vincos do sólido amorfo. as ondas da fluidez que ele possue. e QUE NINGUÉM VÊ. ninguém vê a fluidez do vidro. porque? PORQUEEEEEEEEEEEEEEEEEEE?
QUERO GRITAR PRA QUE VEJAM! HÁ FLUIDEZ NO VIDRO! PORRA! VEJAM.
os cacos fluidos e sólidos ao mesmo tempo em minha mão. não doíam porque os segurava de um jeito confortável. duas mãos postas uma do lado da outra, em concha.
agora jogo-os na mesa. na superfície dura  e segura da mesa. meu espaço rígido onde posso trabalhar com meus pedaços, de taça.
aqui estão vocês.


quinta-feira, 26 de abril de 2012

meninas-flores

Flores espinhosas, cactus inebriante da sede, da sede de saciar fome, da fome de saciar sede. Do recheio suculento que me falta e que me dás, voraz. Me faz - voraz. Ante o tudo, o que me falta é nada. De nada falta, faltas tu, dentes fortes, cactus pontudos, agudos a me perfurar a pele, a desconjurar os ânimos, a me rasgar por dentro, dilacerar meus seios, romper minhas fibras, me olhar calma, os batimentos, examinar, cálida- e calada- os meus defeituosos ritmos cardíacos: arritmoso tempo. Depois destes atos, flor, tu me beijas o coração, beijas com vontade o órgão vermelho e me tomas inteira, me tomas o todo, encarna os pedaços, desmonta os laços, me deixa perdida, me perde por fim, me caem os cabelos, me fecha a ferida, cicatriz na partida, te dou minha mão.