quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

walk on

é a única coisa que está em você, não é externo, por isso não precisa carregar, não são bagagens. é o que você leva sem pensar, sem pesar, leve. é o que você entrega quando chega em algum lugar. é sua identidade, sua estampa.
é o que você reconhece nas novas amizades sem precisar de muitas palavras. é o que você espera de alguém. é isso que você multiplica conforme aglomera grupos e lares no seu porta-malas.
é o amor que te entregaram até agora, o que você tem no seu âmago como um tesouro, it´s all that you can´t leave behind.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Sailing in changes

Aceitar virou lema. Nada que consuma energia. É como uma brisa te levar sem seu esforço, mas a brisa sabe o que faz. As passagens de um suspense-romance-aventura que vão se encaixando pra um final triunfal que acontece em parcelas.
Talvez partes dessas passagens não respeite vontades, quase um movimento involuntário de vida. Mas ao mesmo tempo é escolha, são pequenas escolhas que não apertam o pescoço, não jogam contra a parede. Não há o que sofrer. É apenas brisa.
É oxigênio entrando pra dar vida. Inspirar cenas presentes, guardá-las na memória (um pouco falha), aspirar cenas futuras, incertas, amplas e que dão a impressão de milhões de possibilidades (há pretensão de conhecer cada uma). Expirar complicações, desentendimentos, dúvidas. É só brisa.

domingo, 24 de janeiro de 2010

o que vem e revolve os sentidos e ultrapassa entendimentos

É de lágrima. é de riso. é de dor. é de sentir completo. é metade faltando. é metade montando. é o que tem de ser.
É de tampouco definição feita. é um amontoado de complexidades. é uma fase. é uma espera. um abismo, uma esfera.
De que âmbito você veio pra me buscar? que mentira eu esqueci de deixar passar? quanta verdade cabe num momento singular?
Não perco nada de nós, não finjo na hora rir, não continuo mais por costume, não consigo mais dizer não.
E se pudéssemos nos perder. se fugíssimos do nosso ser. e se tentássemos transcender.
Não seríamos humanos, estaríamos burlando, manteríamos negado o fato de que estar é bom, nos faz bem, entrelaça, envolve, arrebata.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

parágrafo perigoso

-apesar de muitas vezes suas atitudes não serem racionais, ou que de tão racionais perdem a lucidez, entendo seu porquê de um modo geral. é como o planejamento de uma viagem. você arruma as malas, guarda cuidadosamente todos os pertences que deseja usar lá, compra os que faltam, olha a previsão do tempo na internet, tem absoluta certeza de que tudo o que está na sua lista foi feito, sua viagem será inesquecível e vai mudar a sua vida. o planejamento está de vento em poupa. mas quando começa a viajar, uma chuva inesperada faz com que atrase sua chegada ao hotel, algumas de suas roupas novas molham, as pessoas que havia imaginado encontrar te recepcionando estão cansadas e sem brilho no olhar. entretanto enquanto observava o despencar de seus sonhos, perdia a coloração cinza do céu, e o balançar das árvores com o vento, esqueceu de perguntar o porquê do cansaço das pessoas, perdeu novas amizades. na verdade, você percebeu que sua viagem tinha vida própria. que o lugar e as pessoas de lá estavam aquém de suas escolhas, mas mesmo assim, sem o seu controle, estes podiam te fazer feliz. mas isto você não viu.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

"quer guardar o mundo em mim"

são facetas de um mesmo crime. o crime de uma mão cheia de riscos, símbolo de uma vida confusa. não é ruim ser o assassino: mato o não-amor. e se é amor, porque pode ser pecado? o que é o pecado? quem determinou isso tudo? - uma maneira de ordenar o mundo, sempre penso. de impedir todos de ampliarem demais suas visões. e quais são os limites do normal? a que alcance minha retina pode captar? com quantas imagens lindas e coloridas ela pode se deslumbrar?
enquanto caminho, não encontro respostas. meu trajeto é livre, cheio de convenções e desconjecções sobre o mesmo tema. aprendo e desaprendo sobre o que é certo todo o tempo. são dezenove anos de aceitação. nasci velha, careta, e aprendo a aceitar a cada dia. aceito, aceito. e é o melhor a ser feito.
porque não? penso eu. se nosso cérebro usa apenas um por cento de sua capacidade, e sabemos que há um resto inutilizado e capaz de agir, porque não com as emoções também?
há muito o que aprender, muito o que determinar. mas se não houver razão suficiente dentro de um coração, deixa o vento conduzir essa dança.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Tira a prática/ De sermos um pouco mais de nós.

E ela não sabe jogar. Nunca soube elaborar estratégias, nem códigos do truco, nem resolver problemas de física, nem binômios da matemática. Ela sabe por intuição, um instinto vital que a leva às ações inesperadas, aos sucessos e fracassos. Ela não sabe se esconder, não sabe planejar. Apesar de sua ascendência tentar arduamente, ela não sabe prever. Não se controla, e até sofre por isso. Mas é contra sua natureza, seu fluído quente e vermelho, que pulsa vida, jorra palavras e emoções intensas. Ela mesma se contradiz, quando aparenta o frio, quando não mostra tudo, se frustra por não ser percebida sua verdade.
Sua verdade explode em dúvida, e é do seu relativo que nasce o absoluto. Há uma gangorra que se alterna, entre um cérebro cinzento e um músculo involuntário de cor vibrante. "Maybe I´m
so out of luck, maybe I just feel too much", eles pensam. Talvezes tão frequentes, e tão inúteis, se esvaem diante de pouco, priorizando o que nasce espontaneamente.
Que isto tudo a afeta é fato, agora façam-lhe o favor, de embrulhá-la em afeto, de envolvê-la em raspas e restos que lhe interessam, de pequenas porções de ilusão, que a mantenham longe da lógica, mais perto de seu próprio pulsar.

domingo, 6 de dezembro de 2009

open me up and you will see.

fico procurando motivos pra juntar meus lados, pra grudar meus cacos com superbonder, pra ser uma só. uma só não há, uma só pessoa dentro de um ser, uma só vertente de uma filosofia, um só amor dentro de um relacionamento. há tanto pra ser, porque não?
fico criando teorias que unam a psicologia com a química, a essência em sua última instância em ambas, procuro ligações da minha música com a biologia e o ritmo da vida.
talvez sejam belas as relações, talvez sejam ilusões.
talvez eu devesse parar de me entender, talvez nunca pudesse.
há brilho na confusão, há um raio de luz no caos, há um pouco de mim dentro de tantos pedaços.